
Em 1986, a Liga dos Amigos de Aranhas publicou o livro Aranhas, Ontem e Hoje. Monografia da Evolução Histórica, Sócio-Económica, Património Etnográfico e Usos e Costumes. A data marcava os 100 anos da reconstrução do edifício da Igreja, os 50 anos do Rancho Folclórico e os 15 anos da Liga dos Amigos de Aranhas e foi aproveitada para este lançamento que - diga-se em boa verdade - recolhe informações fundamentais sobre a aldeia e seu meio envolvente.
A comissão responsável pelo projecto era composta pelo Dr. Manuel Martins Lopes Marcelo, pelo Prof. Libério Candeias Lopes e por José Ramos Domingos. Muitas outras pessoas contribuíram para este livro, sendo os seus nomes recordados logo no início.
Os próximos posts procurarão homenagear esta publicação, colocando aqui alguns excertos e imagens que permitem dar a conhecer aspectos da história, dos usos e costumes das gentes de Aranhas.





Ao longo da procissão entoam-se cantares tradicionais:























Todos os anos, cabe aos jovens da aldeia em idade de "irem às sortes" (à inspecção militar) a responsabilidade de manterem a tradição do madeiro. As "sortes" já não são o que eram, e a falta de gente nova acaba por fazer com que se juntem jovens e menos jovens na tarefa de recolher os troncos que serão imolados na véspera de Natal.
No dia 8 de Dezembro, tractores carregados de madeira transportam a lenha até ao adro da Igreja. Os sons de búzios e cornetas ecoam pela aldeia, avisando a população da sua chegada. As ruas enchem-se de gente ao som de vivas ao madeiro, à aldeia e a muitas outras coisas que se vão gritando ao longo do percurso. 
A tarefa de juntar todos os troncos concretiza-se perante o olhar da população que enche o adro. Nem a chuva miudinha que vai caindo afasta as pessoas. Mais uma vez a tradição se cumpre.
No dia 24, o madeiro acende-se. O Natal na aldeia ganha agora um calor diferente e umas cores quentes que amenizam o frio intenso. Nessa noite, as chamas serão rodeadas pelo som dos acordeons e dos cantares tradicionais. Pelo ar, as "fonas" de cinza fazem as vezes da neve que não cai.
