O vestuário representa o trajar da nossa região nos finais do século XIX. Por um lado, as cores vivas, principalmente das mulheres, demonstram bem a vivacidade, a alegria e a simplicidade das gentes da Beira. Por outro lado, as cores torradas, cor da terra, mais acentuadas no vestuário dos homens, é uma característica evidente no homem do campo.O Rancho possui ainda algumas peças do trajo antigo como blusas, lenços, xailes, saiotes de mulher e camisas de linho para homem. O restante são cópias fiéis do antigo, tendo-se mantido inalterável desde a fundação do Grupo. Eram usados no final do século passado e princípios deste.
Homem: Calça de serrubeco, colete da mesma fazenda, com forro exterior encarnado ou ao xadrez, camisa de linho com colarinho direito, cinta preta com franja em volta da cintura, lenço vermelho (lenço tabaqueiro) ao pescoço, chapéu preto com duas borlas e botas de cabedal grosseiro na sua cor natural.
Mulher: Sapatos do mesmo material das botas dos homens para as bailarinas e pretos para as restantes; meias brancas bordadas, saiote rodado e às pregas de pano, de feltro de várias cores e barra com recortes ao fundo; blusa em que predomina o tom escuro, com efeitos e folhos; xaile de cor com flores ou um pavão bordado nas costas e colocado sobre os ombros, cruzando à frente para apertar atrás; e lenço de merino antigo, a apertar em cima da cabeça.in Aranhas, Ontem e Hoje, pág. 186






Ao longo da procissão entoam-se cantares tradicionais:























Todos os anos, cabe aos jovens da aldeia em idade de "irem às sortes" (à inspecção militar) a responsabilidade de manterem a tradição do madeiro. As "sortes" já não são o que eram, e a falta de gente nova acaba por fazer com que se juntem jovens e menos jovens na tarefa de recolher os troncos que serão imolados na véspera de Natal.
No dia 8 de Dezembro, tractores carregados de madeira transportam a lenha até ao adro da Igreja. Os sons de búzios e cornetas ecoam pela aldeia, avisando a população da sua chegada. As ruas enchem-se de gente ao som de vivas ao madeiro, à aldeia e a muitas outras coisas que se vão gritando ao longo do percurso. 
A tarefa de juntar todos os troncos concretiza-se perante o olhar da população que enche o adro. Nem a chuva miudinha que vai caindo afasta as pessoas. Mais uma vez a tradição se cumpre.
No dia 24, o madeiro acende-se. O Natal na aldeia ganha agora um calor diferente e umas cores quentes que amenizam o frio intenso. Nessa noite, as chamas serão rodeadas pelo som dos acordeons e dos cantares tradicionais. Pelo ar, as "fonas" de cinza fazem as vezes da neve que não cai.